Ceratocone

O Ceratocone é uma doença corneana de irregularidade e afinamento progressivo da porção central da córnea (figura 1), cursando com baixa de acuidade visual através de miopia e astigmatismo, de maneira bilateral e assimétrica (diferença de grau e perda visual entre os olhos). Iniciando geralmente na adolescência, pode evoluir rapidamente ou levar anos para se desenvolver. A relação do ceratocone com doenças atópicas e alérgicas é bem conhecida.

A identificação da doença moderada ou avançada é fácil, mas em suas fases iniciais torna-se mais difícil, requerendo exames complementares. A topografia corneana computadorizada (Vide  equipamentos) é o exame mais simples para mostrar irregularidades da córnea (figura 2), nos casos já instalados.

Atualmente, a Tomografia corneana por Scheimpflug – Pentacam (Vide  equipamentos),  permite o diagnóstico mais precoce da doença, mesmo em casos subclínicos, pois mostra alterações da face posterior da córnea, bem como o afinamento da mesma. Com isso, hoje em dia o Pentacam se tornou uma arma de diagnóstico indispensável na prática das doenças da córnea.

O tratamento do ceratocone depende da severidade da doença. Inicialmente os óculos corrigem a visão, mas à medida que a doença progride faz-se necessário o uso de lentes de contato rígidas para promover o aplanamento corneano e fornecer uma visão satisfatória, quando as lentes de contato não fornecem boa visão ou há intolerância às mesmas, podemos realizar o implante dos anéis intra-corneanos, com uma melhora importante da superfície ocular e consequente melhora na qualidade de visão. Atualmente o transplante de córnea (vide educação ao paciente – transplante de córnea), está indicado somente nos raríssimos casos onde os tratamentos mais atuais não puderam ser realizados devido ao atraso diagnóstico e de tratamento.

Nos casos de progressão da doença, detectados pelo grau do óculos, pela topografia ou pelo Pentacam, realiza-se o Crosslinking (vide educação ao paciente – crosslinking), com um sucesso enorme na estabilização da doença, tornando a córnea mais dura e impossibilitando a progressão da doença, essa é a maior arma no tratamento atual do Ceratocone.

Proteção contra radiação solar

Os Raios Ultravioleta (UV) compreendem um faixa de comprimento de onda da luz, invisível ao olho humano, que ao serem absorvidos pelos olhos contribuem para uma série de patologias oculares, como Ceratite, Pterígio, Catarata e Degeneração Macular Senil. Enquanto os danos da pele causados pelos raios ultravioleta são mais do que conhecidos, seus efeitos nocivos aos olhos não são tão comentados.
(Figura 1).

A incidência dos Raios Ultravioleta (UV) no planeta cresceu significativamente nos últimos 50 anos, devido à redução da camada de ozônio da atmosfera terrestre. A incidência dos Raios UV é maior nas regiões tropicais, tais como Brasil. Os tipos principais de radiações UV são o A e B, ambas nocivas ao olho humano. A radiação UVA facilmente passa pela córnea, tendo maior potencial de agressão à retina. Porém, em condições normais, a maior parte dela é filtrada pelo cristalino. A radiação UVB provoca severos danos na córnea. Além de causar dolorosas queimaduras de sol , câncer de pele e a fotoceratite
A prevenção contra a exposição dos olhos aos Raios UV é de fundamental importância para toda a população O médico oftalmologista deve orientar seus pacientes sobre os riscos relacionados a exposição aos raios ultravioleta e proporcionar formas de prevenção. Pessoas que passam grande parte do tempo em ambientes com alta intensidade de radiação UV, trabalhando ao ar livre, atividades recreativas ao ar livre e pacientes submetidos a cirurgias ocular como catarata e procedimentos de correção necessitam de cuidado intenso.

Algumas lentes de óculos de grau possuem proteção 100% contra os Raios Ultravioleta, protegendo assim o usuário. Deve-se lembrar ainda que os óculos de sol, somente serão eficazes se as lentes tiverem tratamento anti-ultravioleta. (Figura 2). Assim, é importante solicitar ao vendedor o certificado de garantia de tratamento de proteção anti UVA e UVB de suas lentes, mesmo de óculos de grau.

Tal proteção anti UVA e anti UVB é tão importante que hoje em dia, na moderna cirurgia de catarata , os implantes intra-oculares de qualidade vem com bloqueio anti AVA e anti UVB, protegendo assim a retina desses pacientes.

Descolamento de Retina

O descolamento de retina (DR) é sempre uma emergência oftalmológica. Nas avaliações oftalmológicas de rotina podem ser observadas, ao exame de fundo de olho, as lesões predisponentes ao DR ou buracos periféricos, que evoluem normalmente com tração vitreoretiniana e DR posterior (Figura 1). Dai a necessidade de avaliações oftalmológicas periódicas. Quando pequeno e periférico, o DR pode ser tratado apenas com laser (Figura 2), sem necessidade de cirurgia, no entanto nos casos maiores ou os que acometendo o pólo posterior (Figura 3), se faz necessário tratamento cirúrgico. Com sintomatologia característica como moscas volantes (manchas flutuantes no campo de visão) e fotopsias (“flashes de luz”) o médico deve suspeitar de DR e avaliar minuciosamente a retina em toda sua totalidade, pois se passar desapercebido pode ser tarde para ser tratado.

Crosslinking Corneano

O crosslinking de colágeno cornenano é uma nova arma terapêutica no tratamento das ectasias corneanas, principalmente no ceratocone em evolução. O tratamento promove-se um “endurecimento” da córnea através de ligações químicas mais fortes entre as fibras de colágeno, que é a estrutura principal da córnea (Figura 1). Assim , nos casos em que há progressão da doença, com aumento de curvatura, afinamento corneano ou aumento da grau total do óculos, o tratamento é indicado.

O crosslinking consiste em desepitelização do epitélio da córnea, com aplicação de Riboflavina associado a radiação ultravioleta controlada pelo próprio aparelho que realiza o procedimento(Figura 2). Não é invasivo e praticamento é isento de complicações.

Mas infelizmente não são todos os pacientes com ceratocone que podem ser tratados dessa forma, pois córneas muitos finas, muito curvas ou pacientes com mais de 40 anos não são candidatos bons ao tratamento.

Retinopatia Diabética

O início dos sintomas sistêmicos precede geralmente o início da retinopatia diabética em 3 a 5 anos, nos pacientes jovens insulino dependentes. Já o paciente idoso, geralmente não insulino dependente, tem uma doença mais lenta e silenciosa e geralmente os sintomas visuais aparecem no momento do diagnóstico da doença, mas o quadro ocular já existe há anos.

Nos pacientes jovens, TIPO I (insulino dependentes), em 15 anos de diabetes 50% dos pacientes já apresentam lesão retiniana, já em pacientes idosos com diabetes TIPO II ( hipoglicemiantes via-oral) estima-se que em 10 anos de doença 25% dos pacientes desenvolvem doença retiniana.

A retinopatia diabética é dividida em 2 grandes grupos, a não proliferativa e a proliferativa. A doença não proliferativa cursa com baixa de visão devido a edema de macula, hemorragias e exsudatos (“gordura”) , a doença proliferativa é muito mais severa, com risco elevado de perda completa da visão se não for tratada a tempo.
Outras situações agravam ainda mais o quadro de diabetes ocular, sendo o colesterol alto, hipertensão arterial, obesidade e sedentarismo os mais importantes. Assim, um controle apropriado da doença sistêmica é fundamental para recuperação visual dos pacientes, bem como dieta e exercícios físicos.

O tratamento com laser de retina é o mais antigo e o que na maioria das vezes é realizado, mesmo hoje, com o surgimento das medicações intraoculares que tendem a retardar o processo, mas tem ação curta e necessita de várias aplicações, tendo sido muito utilizado no edema macular. Mais recentemente observou-se ainda que nos casos em que se realiza tratamento medicamentoso prévio ao laser (tratamento combinado), o resultado visual tende a ser melhor.

Transplante de Córnea

A Córnea é uma estrutura fundamental e indispensável para uma boa função visual. Assim, é preciso que ela seja transparente e que mantenha sua curvatura normal para que a imagem chegue até a retina.

Quando a córnea tem alterações na sua forma, perda de sua transparência por enfermidades hereditárias, lesões, infecções, queimaduras por substâncias químicas, enfermidades congênitas ou outras causas, a pessoa pode ter a visão bastante reduzida ou até perder a visão.A principal indicação para o transplante hoje é o ceratocone.

O transplante de córnea consiste na substituição da córnea (doente) do paciente, por uma córnea saudável doada. Após a realização da cirurgia o paciente recebendo alta no mesmo dia.

Para realizar o transplante de córnea os médicos e hospital devem estar cadastrados no Sistema Nacional de Transplantes do Estado ao qual pertencem. Em Joaçaba no HUST já foram realizados 201 transplantes de córnea pelo Dr. Ricardo Stock e Dr. Luiz Carlos Belotto.

Os candidatos ao transplante de córnea devem passar primeiro por uma avaliação minuciosa por um médico oftalmologista para poderem ser cadastrados no Sistema Nacional de Transplante. A fila de espera é única e tem o objetivo promover acesso ao transplante de forma igualitária.

No transplante de córnea existem chances de rejeição, porém hoje com aperfeiçoamento das técnicas cirúrgicas e aparelhos modernos a cirurgia apresenta alta porcentagem de sucesso. Normalmente varia entre 80 e 90% de sucesso em situações não complicadas (de acordo com estatísticas mundiais).

Medicamentos intra-oculares

O desenvolvimento de medicamentos para aplicação intra-ocular têm atraído investimentos da indústria farmacêutica e nos últimos anos vêm crescendo rapidamente o uso de medicamentos administrados via intra-ocular.

Há várias formas de obter altas doses intra-oculares de medicamentos, destacando-se a injeção justa-escleral, implantes intra-oculares e INJEÇÃO INTRAVÍTREA. Essa última técnica possui menor complexidade, maior precisão e por essa via, quantidades significativas da droga são aplicadas diretamente sobre o tecido retiniano.

Atualmente doenças retinianas como Degeneração Macular Relacionada a Idade (DMRI), Retnopatia Diabética , Obstruções Vasculares Retinianas e doenças inflamatórias podem ser tratadas com sucesso por administração intra-ocular de medicamentos.

Uso e manutenção dos colírios

Abaixo listamos alguns cuidados básicos e fundamentais para se obter o máximo proveito dos medicamentos de uso tópico na oftalmologia:

1-Não usar colírios sem orientação oftalmológica;
2-Verificar a data de validade dos frascos;
3-Deixar frascos fechados e ao abrigo da luz solar;
4-Lavar bem as mãos antes de usar os colírios;
5-Não encostar o frasco no cílios ;
6-Pingar apenas uma gota de cada vez, de preferência deitado(a);
7-Se houver tratamento combinado com mais de um medicamento respeitar o intervalo mínimo de 5 minutos entre eles;
8-Após administrar o medicamento deixar os olhos fechados por 5 minutos;
9-Após o término do tratamento desprezar o medicamento.

Glaucoma

Doença ocular causada principalmente pela elevação da pressão intraocular que provoca lesões no nervo óptico e, como consequência, comprometimento visual. Se não for tratado adequadamente, pode levar à cegueira.

Pacientes negros têm maior propensão a desenvolver pressão alta, bem pessoas com mais de 35 anos e os portadores de diabetes. O histórico familiar também é importante para o diagnóstico, pois cerca de 6% das pessoas com glaucoma já tiveram outro caso na família.

O glaucoma crônico – tipo mais comum da doença – exige o uso constante de colírios, porque não tem cura.

Para fazer o diagnostico correto, bem como para acompanhamento do tratamento, faz-se necessário a realização de exames complementares. A Campimetria Computadorizada avalia a perda de campo visual decorrente do glaucoma, através da Fotografia Estereoscópica de Papila podemos documentar o nervo óptico e a Tomografia de Coerência Óptica(OCT) permite avaliar com precisão a camada de fibras nervosas.